Com o crescimento das vendas de veículos eletrificados, a instalação de pontos de recarga passa a exigir avaliação da rede elétrica, definição de responsabilidades e cumprimento das normas do Corpo de Bombeiros.
Equipe de comunicação e marketing I Agosto de 2026
A rápida expansão dos carros elétricos no Brasil está levando uma nova discussão às assembleias condominiais: como instalar carregadores nas garagens com segurança, controle do consumo de energia e respeito às regras coletivas? O tema ganhou destaque em uma reportagem do g1, que mostrou os desafios enfrentados por moradores, síndicos e administradoras diante de uma tecnologia que avança em ritmo acelerado.
Dados divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico indicam que 16 de cada 100 veículos leves vendidos no país durante o primeiro semestre de 2026 eram eletrificados. O segmento registrou 215.023 emplacamentos, crescimento de 125% em comparação com o mesmo período de 2025. Os números incluem veículos elétricos e diferentes categorias de híbridos, embora somente os modelos totalmente elétricos e híbridos plug-in dependam de recarga externa. Segundo a ABVE, a participação dos eletrificados chegou a 18% das vendas nacionais em junho.
Esse avanço pressiona condomínios construídos em uma época na qual a recarga de veículos sequer fazia parte do planejamento elétrico. Em muitos prédios, a instalação de um único carregador pode ser tecnicamente viável. O cenário muda conforme outros moradores aderem à tecnologia e vários equipamentos passam a funcionar simultaneamente.
Qual é a polêmica sobre carros elétricos em condomínios?
A controvérsia envolve o direito do proprietário de utilizar sua vaga privativa e o dever do condomínio de proteger a edificação. Também entram na discussão a capacidade da rede elétrica, o pagamento da energia consumida e a responsabilidade por eventuais danos.
Uma instalação improvisada pode sobrecarregar circuitos, provocar aquecimento de cabos ou comprometer os sistemas de proteção do edifício. Por isso, a simples existência de uma tomada próxima à vaga está longe de representar uma autorização técnica para carregar o veículo.
O vereador Sidninho, durante o debate do Projeto de Lei nº 113/2025 na Câmara Municipal de Salvador, alertou para esse problema. “Hoje em dia, muitos condôminos estão ignorando a necessidade de um projeto técnico assinado por um engenheiro e fazendo de forma desregulada, mas é preciso deixar claro os riscos dessas instalações, em especial em infraestruturas elétricas deficientes, o que pode levar a sobrecargas e riscos de incêndio”, afirmou em declaração publicada pela Câmara Municipal de Salvador.
A ausência de uma regra nacional única também alimenta dúvidas. O Projeto de Lei nº 158/2025, em tramitação na Câmara dos Deputados, busca regulamentar o direito à instalação de estações individuais em vagas privativas. A proposta atribui ao proprietário os custos de implantação e manutenção, exige documentação de responsabilidade técnica e prevê regras complementares na convenção condominial.
Enquanto a legislação federal segue em discussão, estados e municípios criam normas próprias. Convenções, regimentos internos e deliberações assembleares também precisam ser considerados em cada empreendimento.
Bahia já possui norma para recarga de veículos elétricos
Para os condomínios baianos, a atualização mais importante ocorreu em abril de 2026, quando o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia homologou a Instrução Técnica nº 45/2026. A norma estabelece medidas de segurança contra incêndio para garagens e demais espaços com Sistemas de Alimentação de Veículos Elétricos, conhecidos pela sigla SAVE.
A Instrução Técnica nº 45/2026 alcança edificações residenciais e comerciais em todo o estado. Entre os pontos previstos estão o dimensionamento correto das instalações elétricas, o uso de equipamentos certificados e a adoção de sistemas de proteção contra sobrecarga e curto-circuito.
Ao anunciar a regulamentação, o coronel BM Jadilson Lopes das Mercês explicou que o documento foi elaborado para alinhar as edificações aos protocolos internacionais de segurança. Segundo ele, os principais cuidados incluem “o correto dimensionamento das instalações elétricas, a utilização de equipamentos certificados, a previsão de sistemas de proteção contra sobrecarga e curto-circuito, além da adequada ventilação dos ambientes e sinalização específica das áreas de recarga”. A declaração foi divulgada pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia.
A regulamentação atribui responsabilidade ao profissional técnico ou à empresa instaladora, em conjunto com o proprietário ou responsável pela edificação. Também reforça a necessidade de regularização do imóvel perante o Corpo de Bombeiros e de manutenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros atualizado.
No Sul da Bahia, onde novos empreendimentos residenciais convivem com condomínios construídos há décadas, a análise individual de cada edificação ganha importância. A idade da rede elétrica, a potência disponível e o perfil de ocupação da garagem podem alterar completamente a solução recomendada.
Quem deve pagar pela instalação e pela energia?
Quando o carregador atende exclusivamente a um morador, a tendência é que os custos de compra, instalação e manutenção sejam assumidos pelo interessado. O condomínio precisa conhecer previamente o projeto, exigir a documentação técnica e verificar possíveis interferências nas áreas comuns ou na infraestrutura coletiva.
Nos pontos compartilhados, a assembleia deve definir como a obra será financiada e quem poderá utilizar o equipamento. Também é necessário escolher uma forma transparente de cobrança da energia.
O advogado Eduardo Schroder, presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB de Juiz de Fora, defende que a energia utilizada pelos carros elétricos seja medida individualmente. “A energia consumida não deve, em hipótese alguma, ser rateada de forma cega entre todos os moradores”, declarou à Tribuna de Minas.
Entre as soluções disponíveis estão a ligação vinculada à unidade consumidora do proprietário e os carregadores inteligentes, capazes de registrar o consumo em quilowatt-hora. A escolha depende do projeto elétrico, das regras da distribuidora e da estrutura existente no condomínio.
Como o condomínio deve proceder antes de autorizar um carregador?
O primeiro passo é contratar um profissional habilitado para realizar o estudo de carga da edificação. Esse diagnóstico mostra a capacidade disponível, identifica adaptações necessárias e permite planejar a expansão futura dos pontos de recarga.
Em seguida, a administração deve reunir o projeto elétrico e o documento de responsabilidade técnica. Também cabe verificar as exigências do Corpo de Bombeiros, da concessionária de energia e das normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas.
A convenção e o regimento interno precisam passar por análise jurídica. Caso a instalação envolva infraestrutura comum, obras ou despesas coletivas, a proposta deve ser submetida à assembleia com informações técnicas suficientes para uma decisão consciente.
Depois da aprovação, o condomínio deve formalizar regras sobre instalação, acesso aos equipamentos e cobrança do consumo. Inspeções periódicas e manutenção preventiva ajudam a preservar a segurança do sistema ao longo do tempo.
Assessoria condominial reduz riscos e conflitos
A chegada dos veículos elétricos mostra como a gestão condominial precisa acompanhar mudanças tecnológicas e atualizações regulatórias. Uma decisão tomada sem orientação adequada pode resultar em conflitos entre moradores, gastos imprevistos ou dificuldades para renovar documentos de segurança da edificação.Uma assessoria condominial séria acompanha as normas vigentes, organiza a documentação e orienta o síndico na condução das assembleias. Também promove o diálogo entre moradores, profissionais técnicos e fornecedores, garantindo que cada decisão seja registrada e executada de acordo com as responsabilidades definidas.
Esse apoio protege o síndico e o presidente de associação, que respondem pela conservação das áreas comuns e pela adoção de medidas necessárias à segurança coletiva.
Seu condomínio recebeu um pedido para instalação de carregador ou precisa se adequar às novas regras da Bahia? Fale com a Azul Administradora. Nossa equipe acompanha as atualizações da legislação e apoia síndicos e presidentes de associação na construção de soluções seguras, transparentes e adequadas à realidade de cada empreendimento.





